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Minha primeira CASACOR no ano em que tudo começou

  • Foto do escritor: Amanda Braga
    Amanda Braga
  • 15 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

2025 foi um ano de muitos começos para mim.


Foi o ano em que iniciei a faculdade de arquitetura e urbanismo.

E também o ano em que fui, pela primeira vez, à CASACOR Salvador.


A visita aconteceu ainda no início do segundo semestre, a partir de um convite da professora Vera Sehbe, da disciplina de Meios de Representação. Fomos em grupo, com alguns colegas da faculdade.



E, mesmo tendo chegado até aqui um pouco atrasada para registrar essa experiência, consequência de um semestre intenso, cheio de atividades, senti que ela merecia ser escrita com calma, agora, no fechamento do ano. Porque foi uma experiência que realmente ficou.


Um olhar que já vinha de antes


Sempre tive afinidade com o design de ambientes. Antes mesmo da faculdade, já existia esse interesse pelo espaço, pelas atmosferas, pelas sensações que um ambiente pode provocar.


Mas estar na CASACOR foi diferente. Foi ver isso materializado no mais alto nível de detalhe.


O que mais me marcou foi perceber como os profissionais pensam o ambiente a partir de quem vai habitá-lo. Nada parecia aleatório. Tudo seguia um conceito muito claro.

Cada espaço tinha um clima próprio. E isso era perceptível já na entrada.


Atmosferas que se sentem antes de serem entendidas


Cores, sons, iluminação, aromas, música.

Formas mais arredondadas em alguns ambientes, mais pontiagudas em outros.

Espelhos, texturas, superfícies, materiais.


Era impossível entrar em um espaço e não sentir algo diferente imediatamente.



E isso me encantou profundamente. Porque ali ficou muito evidente que design de interiores não é apenas estética, é experiência sensorial completa.


Saí de alguns ambientes mentalmente cansada, inclusive. Não por cansaço físico, mas pela quantidade de estímulos, detalhes e informações para observar.

Era muito para absorver. E isso, curiosamente, também foi bonito de perceber.


Dois momentos que ficaram em mim


Alguns ambientes me atravessaram de forma mais intensa.


Um deles foi uma sala no chamado Lounge da Renúncia, por Hugo Ribeiro. Um espaço dramático com paredes roxas, grãos de milho no chão, imagens fortes, uma cruz iluminada em destaque. A sensação ao entrar era pesada. Quase imediata.



Ali, ficou muito claro como cores, imagens e símbolos constroem sensações instantâneas. Antes mesmo de qualquer explicação, o corpo já entendia que aquele ambiente falava de dor, culpa, sofrimento.


Ver isso aplicado de forma tão consciente foi uma aula prática.


Outro momento que me marcou profundamente foi o ambiente Living Praiano dos Sonhos, do Nonato Arquitetura.


De estética clara, quase praiana. Tons de areia, uma atmosfera leve.


O pé-direito alto valorizava uma única obra de arte, fios de tecido em tons de rosa e vermelho, como uma cascata.



À primeira vista, tranquilidade.

Depois, o impacto.


Ao conhecer o conceito, tudo mudou. A praia fazia referência as viagens dos navios negreiros. A obra remetia às amas de leite, mulheres escravas que amamentavam os filhos das senhoras de engenho e, ao tentar alimentar seus próprios filhos, já não tinham leite, apenas sangue.



Foi um choque silencioso.


Ali, percebi algo muito forte: a arte não precisa gritar para ser um grito.

Ela pode ser silenciosa e, ainda assim, extremamente potente.


Essa foi a frase que se formou na minha cabeça naquele momento:“A arte pode ser um grito silencioso.”


Você entra, sente algo, mesmo sem entender. E quando entende, o impacto se aprofunda.


Um espaço que carrega memória


Outro ponto que tornou essa edição ainda mais especial foi o local. Pela primeira vez, a CASACOR aconteceu nesse espaço específico, um antigo convento, carregado de história, por onde passaram gerações de freiras e meninas estudantes religiosas.




Grande parte da estrutura original foi mantida. E o projeto soube mesclar o antigo com o novo de forma muito sensível. Os ambientes dialogavam com a arquitetura existente, com a memória do lugar, com diferentes épocas do Brasil.


Não era apenas uma mostra de interiores. Era uma conversa entre tempos.



Um sentimento compartilhado


Em meio a tudo isso, uma colega comentou algo que ficou comigo:“É um mundo tão lindo… será que eu vou conseguir fazer algo assim?”


E, sendo muito honesta, eu também senti isso.



Mesmo estando confiante de que essas habilidades se constroem com o tempo, ainda existe aquele misto de admiração e respeito. Um olhar que diz: tem muito pensamento aqui. Muito estudo. Muito processo.


E talvez seja isso que torna tudo tão fascinante.


Um registro necessário


Esse post é, acima de tudo, um registro.

De um primeiro contato.

De um encantamento real.

De uma experiência que ajudou a ampliar meu olhar logo no início da formação.



A CASACOR 2025 não foi apenas uma visita.

Foi uma confirmação de que o espaço tem poder.

Que ambientes falam.

Que conceitos bem construídos atravessam o corpo antes mesmo de serem explicados.


E, para quem está começando, isso é um presente imenso.

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